Fala galera!
Tivemos a oportunidade entrevistar um grande longrider: Jaime Viúdes.
Tivemos a oportunidade entrevistar um grande longrider: Jaime Viúdes.
Na entrevista, Viúdes fala um pouco do seu feeling com o surf, de seu projeto Lisergia Clássica e como vê o cenário do surf atual.
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| Jaime Viúdes - (Acervo pessoal) |
SINTA O PRANCHÃO: BOA TARDE, VIÚDES!
PEÇO QUE DISSERTE SOBRE A SUA RELAÇÃO COM O MUNDO DO SURF. COMO TUDO COMEÇOU, A TRANSIÇÃO DA PRANCHINHA PARA O PRANCHÃO.
PEÇO QUE DISSERTE SOBRE A SUA RELAÇÃO COM O MUNDO DO SURF. COMO TUDO COMEÇOU, A TRANSIÇÃO DA PRANCHINHA PARA O PRANCHÃO.
JAIME: Desde minha mais remota lembrança da infância eu já gostava de surf. Via os caras passando com pranchas e ficava curioso. Era década de 70, surf explodindo, todo mundo cabeludo. Nasci a um quarteirão de praia, ficava vendo os caras pegando onda. Surfava de isopor, aquelas Guarujá e também uma promocional da Yopa, que era uma antiga marca de sorvetes. Competi os primeiros circuitos Jr/Mirim do Brasil mas, sempre pegava um longboard pra brincar. Não era tão fácil achar um, a retomada dos pranchões ainda tava acontecendo. Um vizinho pegava de outro vizinho e sempre me emprestava. Tenho até que citar o nome deles, eram o Marcio Condé e o César Macaco. Na década de 90 comecei a competir nos principais eventos do Brasil e do mundo.
SINTA O PRANCHÃO: ALGUNS DA IMPRENSA DIZEM QUE O BRASIL AINDA NÃO TEVE
UM CAMPEÃO MUNDIAL POR CAUSA DA FALTA DE LOBBY NO CIRCUITO OU PORQUE A INDUSTRIA
DO SURF GRINGA NÃO DEIXA, OU ATÉ MESMO POR FALTA DE MERECIMENTO. POREM QUAL A
VERDADEIRA IMPORTÂNCIA PRO SURF NO BRASIL TER UM CAMPEÃO MUNDIAL? AFINAL, A
VERDADEIRA ESSÊNCIA DO SURF NÃO É A FISSURA, UMA PRANCHA E AQUELA ONDA?
JAIME: Acho que não temos um campeão mundial por dois motivos: Não temos aqui
as ondas do circuito e só recentemente ficou mais fácil viajar.
Nascer num local de ondas perfeitas e pesadas ou ter bastante acesso à elas dá intimidade pro cara, isso faz muita diferença na hora de competir. Outro motivo é que o surf pra nós é mais recente do que para os americanos, australianos e havaianos.
Nascer num local de ondas perfeitas e pesadas ou ter bastante acesso à elas dá intimidade pro cara, isso faz muita diferença na hora de competir. Outro motivo é que o surf pra nós é mais recente do que para os americanos, australianos e havaianos.
Sobre a indústria, o monopólio gringo trava as marcas nacionais. Isso
impede o crescimento do surf no Brasil e que mais moleques tenham acesso a um
patrocínio que vai bancá-los lá fora. A essência do surf é a busca pela onda
perfeita. Uma viagem de surf é onde toda magia acontece, tudo fica mais
aflorado. Competição não te dá isso, ela pode te satisfazer de outra forma,
como a satisfação de um objetivo alcançado, reconhecimento do seu trabalho.
SINTA O PRANCHÃO: ESSA PERGUNTA, COM CERTEZA É UM COMPLEMENTO DA ANTERIOR.
PHIL RAJZMAN, CAMPEÃO MUNDIAL DE LONGBOARD. MUITA GENTE AINDA NÃO TEM CONHECIMENTO DESSE FEITO, PORQUE? ACREDITAMOS QUE NO BRASIL AINDA ROLA UM PRECONCEITO SOBRE O LONGBOARD SER UMA MODALIDADE ULTRAPASSADA, COISA DE COROA.
O QUE SE ATRIBUI ESSE PENSAMENTO?
PHIL RAJZMAN, CAMPEÃO MUNDIAL DE LONGBOARD. MUITA GENTE AINDA NÃO TEM CONHECIMENTO DESSE FEITO, PORQUE? ACREDITAMOS QUE NO BRASIL AINDA ROLA UM PRECONCEITO SOBRE O LONGBOARD SER UMA MODALIDADE ULTRAPASSADA, COISA DE COROA.
O QUE SE ATRIBUI ESSE PENSAMENTO?
JAIME: Não vejo assim. Acho até que muita gente sabe do feito do Phil, mas cada
vez tenho mais convicção que não é isso que a maioria das pessoas esperam do
longboard. Só o Brasil quer ver o longboard profissionalizado, os gringos
preferem os pranchões na cena underground.
Tanto que falar em circuito mundial hoje é utopia, tem um evento fim do ano e olhe lá. Estive no circuito mundial por mais de dez anos e venho trabalhando com longboard na mídia por bastante tempo, além de estar produzindo um filme. Isso vem dando um feedback seguro sobre o que as pessoas esperam do longboard. Tem gente que gosta de competição também, mas a maioria quer ver o surf suave, desprendido, de monoquilha. O chamado surf clássico tem um apelo muito natural, que mostra bem a essência que você mencionou. Acho que cada um tem direito de escolher as pranchas que vai surfar, mas é vacilo se prender a um tipo de prancha específico. Quem acha que longboard é prancha só de coroa e que a modalidade está ultrapassada é porque não tem conhecimento do que acontece lá fora.
Tanto que falar em circuito mundial hoje é utopia, tem um evento fim do ano e olhe lá. Estive no circuito mundial por mais de dez anos e venho trabalhando com longboard na mídia por bastante tempo, além de estar produzindo um filme. Isso vem dando um feedback seguro sobre o que as pessoas esperam do longboard. Tem gente que gosta de competição também, mas a maioria quer ver o surf suave, desprendido, de monoquilha. O chamado surf clássico tem um apelo muito natural, que mostra bem a essência que você mencionou. Acho que cada um tem direito de escolher as pranchas que vai surfar, mas é vacilo se prender a um tipo de prancha específico. Quem acha que longboard é prancha só de coroa e que a modalidade está ultrapassada é porque não tem conhecimento do que acontece lá fora.
SINTA O PRANCHÃO: VOCÊ ESTÁ FILMANDO LISERGIA CLÁSSICA, UM FILME 100%
PRANCHÃO. COMO SURGIU A IDEIA DE RETRATAR A PUREZA DO SURF? COMO ANDA O
PROJETO? JÁ TEM PREVISÃO DE LANÇAMENTO?
Queremos lançar final do ano, talvez na temporada. Sempre quis fazer um
filme, mas não tinha as ferramentas. Quando cansei do circuito comecei a
esboçar umas idéias. O filme era uma delas, mas tinha outros planos. As coisas
foram acontecendo para que o filme se consolidasse, o Paulo Camargo, que é
responsável pela fotografia do filme abraçou a idéia e partimos pra Califórnia
com recursos próprios, usei grana que ganhei de premiação em campeonatos. Na
volta a Galeria Filmes entrou no projeto e aí conseguimos dar andamento. O
filme é um resumo de como eu vejo o surf, tudo que vi, vivi, conheci. Os
personagens, de alguma forma significam bastante na minha vivência no surf.
Sempre me interessei pela história e surfo com o maior amor do mundo.
Basicamente essa foi a fórmula do filme.

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